quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

PROFISSÃO: FIGURINISTA

Slide 3
MARÍLIA CARNEIRO - TV GLOBO
É o profissional que idealiza ou cria o figurino. Ele deve ter a percepção do ser humano, saber observar o outro e compreender o mundo dentro da leitura do texto utilizado para o teatro, o filme, o programa de TV. Diferentemente do estilista, o figurinista cria para um mundo de caracterizações, trocando em miúdos, o figurinista pode estar executando figurinos para uma peça de teatro, que se passa no século XVIII, e, ao mesmo tempo, fazendo figurino para uma novela que se passa nos dias atuais.
PATRICIA FIELD - SEX AND THE CITY.
É necessário que o figurinista conheça a fundo a história a ser tratada no trabalho, pois o figurino tem que revelar muito dos personagens. Para elaborá-lo, o figurinista deve levar em conta uma série de fatores como a época em que se passa a trama, o local onde são gravadas as cenas, o perfil psicológico dos personagens, o tipo físico dos atores e as orientações de luz e cor feitas pelo diretor de arte.
Seleciona e desenha o guarda-roupa de peças e balés, novelas, filmes e peças publicitárias, adequando à época e às intenções do autor/diretor. 
EDITH HEAD



 "O que um figurinista faz é um cruzamento entre magia e camuflagem. Nós criamos a ilusão de mudar os atores em algo que eles não são. Nós pedimos ao público que acreditem que cada vez que eles vêem um ator no palco ele se tornou uma pessoa diferente." Edith Head. 

Remuneração: média salarial na televisão é de R$ 3.000. Fora isso, trabalha como autônomo, com remuneração muito variável dependendo do trabalho a ser realizado.

DICA DE LIVRO

VESTINDO OS NUS: o figurino em cena

Neste livro, em lugar de uma história do traje, de um catálogo de estilos ou coisas do gênero, Rosane Muniz preferiu partir para a investigação do significado do figurino na criação teatral. A autora caminhou, poderíamos dizer, de fora para dentro, com uma série de entrevistas capazes de estabelecer a importância nesse aspecto da encenação. Ela começa pelos críticos (nesse caso, como porta-vozes do público), que vêem os figurinos já prontos, e usados pelo elenco, percebendo a intervenção positiva das roupas no espetáculo como um todo. Ela destaca, em primeiro lugar, duas figuras consagradas e excepcionais na qualidade do que fazem e no número de trabalhos realizados - Gianne Rattp e Karma Murtinho. Rosane passa, a seguir, para aqueles que usam os figurinos - os atores - e o que seus trajes significam para a composição da personagem, sua contribuição, digamos, exterior, para completar o que é trabalhado no interior. Finalmente, ela entrevista os figurinistas, que falam de suas visões pessoais, seus processos criativos, sua consciência de que os figurinos são parte integrante do espetáculo, sem poder fazer nem mais nem menos do que o necessário para a organicidade do todo, ao que são submetidos sem que isso lhes tolha a criatividade ou o prazer. Nem sempre o público em geral tem consciência da extraordinária complexidade do trabalho no teatro. 

Editora: Senac Rio 
Autor: ROSANE MUNIZ 
Origem: Nacional 
Ano: 2004 
Edição: 1 
Número de páginas: 327

ACERVO DE FIGURINO: ANHANGUERA - TVSBT

A TVSBT é reconhecida pelo sucesso de seus programas de auditório, a emissora do “Dono do Baú”, também tem repercussão nacional devido a seus programas humorísticos, infantis, reality shows e telenovelas. Com uma proposta de programação mais popular e de qualidade, o SBT é uma empresa com espírito jovem, que tem como prioridade satisfazer o telespectador brasileiro levando entretenimento e informação.

Não resta dúvidas de que a TVSBT é uma enorme fábrica de fazer sonhos, como Silvio Santos faz questão de dizer. Ela emprega cerca de 5 mil funcionários na rede nacional, sendo que até hoje 73 funcionários começaram na empresa em 1981. Recebe em média 3 mil pessoas para comporem seus auditórios nas gravações, em especial nos programas de Silvio Santos, que entrou para o Guinness 93 por ter um dos programas mais duradouros da tevê: mais de 30 anos no ar.




 Os figurinos são armazenados por araras independentes, cada programa tem sua arara específica. Já os figurinos considerados de uso comum como fantasias, acessórios de caracterização entre outros são catalogados por espécie como é possível verificar na foto dos chapéis.

 Sua sede atual no Complexo Anhanguera, em Osasco, disponibiliza 8 estúdios com estruturas técnicas e apoio totalmente independente, área para cidades cenográficas, além de uma estrutura própria como restaurantes, lanchonetes, salão de cabeleireiro, locadora, banca de jornal, agências bancárias, academia, ambulatório médico e odontológico, quadras de vôlei e futebol, entre outros.


Fonte:
biblioteca.sp.senac.br/.../RETALHOS%20EM%20CENA%20-%20CONCEBENDO%20O%20FIGURINO%20NA%20TELEVIS... 

SANDY POWELL - FIGURINISTA COLECIONADORA DE OSCAR

Sandy Powell é um dos grandes nomes quando o assunto é figurino em Hollywood. Colecionadora de estatuetas do Oscar, ganhOU seu terceiro prêmio pelo trabalho em "The Young Victoria"(2010). 
Os figurinos de época são seu ponto forte, através de visuais tão poderosos que fortalecem o papel de heróis e vilões ela assinou Tilda Swinton, Gwyneth Paltrow e recentemente Emily Blunt. 
Destacando-se como a maior vencedora do Oscar de Melhor Figurino das duas últimas décadas, a britânica conta que a maior responsabilidade de seu trabalho é criar um figurino que vá além da beleza e ajude a contar a história do filme. 
 A riqueza de detalhes da cenografia e o criativo trabalho feito por Sandy Powell, indicava que o filme seria mesmo um dos favoritos ao Oscar. Onde a figurinista  optou por peças num estilo mais romãntico para o guarda-roupa da rainha. O reinado de Victoria durou quase 70 anos e, a imagem clássica da Rainha Victoriia, uma mulher de meia idade, acima do peso e adepta dos vestidos pretos(luto pela morte de seu Príncipe Albert, em 1861) foram os elementos chaves na elaboração dos looks.

Mesmo em meio a tanto luxo, Powell elegeu como favorito um vestido azul feito de seda e com renda antiga na gola e nas mangas. “Gosto da simplicidade e do azul inusitado, que funciona bem com as flores no acessório de cabeça e também é muito elogioso”, disse ela ao site oficial do filme.

Em seu discurso de agradecimento, a três vezes vencedora Sandy Powell disse: “Eu gostaria de dedicar este prêmio aos figurinistas que não fazem filmes sobre monarcas mortas ou musicais glamurosos.”


Fonte:
http://www.theyoungvictoria.co.uk/

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

OSCAR DE MELHOR FIGURINO - 2010

“The Young Victoria”(A Jovem Rainha Victória)
 
O filme, foi dirigido por Jean-Marc Valee, que narrou parte do período Vitoriano, que vai de 1836 a 1840, os primeiros anos do reinado de Victoria e, teve o seu figurino assinado por Sandy Powell.
O guarda-roupa da atriz principal Emily Blunt passou por uma metamorfose logo na primeira metade do filme segundo Sandy Powell. "Nesta parte do filme, Victoria ainda era uma princesa e vivia com uma mãe controladora que escolhia desde o que a filha comia até o que vestia. Isto gerou uma personalidade rebelde, escondida por detrás de vestidos quase infantis. Esta imagem foi deixada de lado quando Victoria assumiu o trono e adotou uma postura mais sofisticada e elegante", conta Sandy Powell. 

De acordo com a figurinista: "Um dos principais desafios ao criar um figurino para um longa-metragem, segundo Sandy, é lidar com o tempo e a verba disponíveis. Em um filme cujo figurino retrata a vestimenta da realeza, os obstáculos são ainda maiores: "é difícil criar uma roupa que se pareça com algo real, verdadeiramente suntuoso e que tenha aspecto de realmente caro, sem os mesmos materiais da época e com pouco tempo para isso. Às vezes, é preciso pintar o que deveria ser bordado ou usar pedras falsas no lugar de diamantes".
Ao ser perguntada sobre o processo de construção e elaboração do figurino, Sandy descreve que trabalho começou através da pesquisa, como de praxe., seguido pela busca de informações visuais como os retratos da Rainha e, aos diários de Victoria. Sandy Powell conta que tais relatos eram tão detalhistas, que haviam diversas citações sobre as roupas que a mesma vestiu em momentos importantes da vida. Estas histórias foram essenciais para delinear o estilo da monarca. O terceiro passo foi visitar o museu localizado no Palácio de Kensington, no qual há a exposição permanente que inclui peças originais da rainha.
Segundo Sandy Powell,  a estrutura que vem por baixo dos vestidos, são detalhes cruciais na elaboração dos figurinos, afinal os espartilhos e outras armações é que dão forma aos vestidos que, na verdade, são leves. A figurinista comenta ainda que é muito importante pensar que além de o resultado final ter de ser bonito, é preciso lembrar que o figurino não pode limitar os movimentos do ator. Quando a tal “parte de baixo” inclui corsets, então, há aqueles que estranhem a peça: “felizmente Emily Blunt já era acostumada a usar corsets, então não tive problemas quanto a isso. Aliás, em “The Young Victoria”, todos os atores estavam confortáveis vestindo roupas de época”, explica Sandy. 
Retrato da Rainha Vitória feito em 1887, na época de seu Jubileu de Ouro ©Reprodução
A própria Powell revelou mais tarde que também não sabia muito sobre a rainha, interpretada no longa por Emily Blunt, antes de aceitar o trabalho. “Minha imagem dela era essa velha mulher desalinhada”, entregou. Após muita pesquisa — que envolveu tocar e reproduzir peças usadas de fato pela rainha, incluindo seu vestido de noiva – a figurinista criou looks tão refinados que chegaram a ser assegurados em 10 mil libras.

Título original: The Young Victoria
Lançamento: 2009 (EUA, Inglaterra)
Direção:Jean-Marc Vallée
Atores: Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson.
Duração: 105 min
Gênero: Drama

Fonte:
http://www.adorocinema.com/filmes/a-jovem-rainha-vitoria/
http://www.heloisamarra.com/index.php?option=com_content&task=view&id=789&Itemid=96

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

OSCAR DE MELHOR FIGURINO - 2009

Melhor figurino para “A Duquesa”

O filme “A Duquesa” (The Duchess) confirmou o favoritismo e ganhou o Oscar 2009 de melhor figurino. Inspirado no livro “Georgiana: Duchess of  Devonshire” , de Amanda Foreman, o roteiro de Saul Dibb conta a vida da Duquesa Georgiana Cavendish, que viveu de 1757 a 1806.

A atriz Keira Knightley interpreta a duquesa amada e copiada pela Inglaterra do final do século XVIII. Michael O’Connor assina o figurino, resultado de uma minuciosa pesquisa da indumentária da época. 











 Camafeu é uma pedra dura, geralmente ágata, ônix ou sardônica, na qual era cortado um desenho em relevo. Foi popular na Grécia durante o período helenístico. No século XVIII, era moda usar cópias de camafeus antigos, presos às blusas, vestidos ou pendurados numa fita em volta do pescoço. O acessório voltou à moda de hoje em broches e colares.

 
Os jabôs são babadinhos decorativos de renda ou outro tecido delicado preso ao peito ou junto ao pescoço. A princípio, no século XVI, uma peça do vestuário masculino. No século XIX, foi popular entre as mulheres. Pode-se perceber a transição no filme, quando Georgiana participa da campanha para eleição de 

Charles James Fox. O estilo militar vem acompanhado de uma espécie de jabô. Nos anos 80, o acessório esteve na moda. De volta nas últimas temporadas, o jabô apareceu também no desfile do brasileiro Carlos Miele na Semana de Moda de Nova York.  



título original: (The Duchess)
lançamento: 2008 (França, Itália, Inglaterra)
direção:Saul Dibb
atores:Keira Knightley, Ralph Fiennes, Dominic Cooper, Charlotte Rampling.
duração: 110 min
gênero: Drama
Fonte: http://www.dzai.com.br/modificando/blog/modificando?tv_pos_id=32350










Regional

= informações referentes a uma região ou a uma cultura específica, podendo situar-se no passado, presente ou futuro. Muitas vezes o figurino é envelhecido para aparentar vivências; outras, com o intuito de quebrar a intensidade das cores e obter um melhor resultado no vídeo ou no palco. O tingimento é um dos recursos mais usados para dar veracidade às roupas.
EX: As Múmias do Faraó: Dos figurinos à fotografia, nota-se o cuidado da produção para ambientar apropriadamente a história em 1912.

Título original: Les Aventures Extraordinaries
Duração: 105 minutos (1 hora e 45 minutos)
Gênero: Ação / Aventura
Direção: Luc Besson
Ano:2010 
País de origem: França




Fonte:  http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQ562FU2NHZWol8HcdqCgGW1pZnr0vcMV-m4aeUE7xfR9Nj5IpttQ
                    http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTwrKFeJHQn6D9MFen_ZiEiiU9QqQ6prqRPJt1DjN-bIk8xdbDyxA

Simbólico (Fantasia) e Ritual

= trajes que emitem mensagens não-verbais que variam de acordo com o contexto, as religiões ou seitas e características folclóricas de cada país. Seria o caso do figurino de carnaval, na fantasia, quando mais novo, mais brilho, mais paetês e mais strass tiver, melhor. O carnaval trabalha com o brilho, a cor e o novo.
EX: Carnaval de Veneza, onde as fantasias são um luxo.
Fonte: http://formatohibrido.zip.net/images/veneza.jpg

De época


= momento passado ou futuro, com relação ao figurino, não estabelece um compromisso com a moda vigente, mas sim um critério de fidelidade. As roupas de baixo, mesmo não aparecendo, estruturam a que está por cima, oferecendo caimento e volume diferenciado; como é o caso do espartilho ou da anágua.

Figurino da novela  'Ciranda de Pedra'(2008) é inspirado na Hollywood dos anos 50. O visual platinado de Marilyn Monroe foi copiado pela ambiciosa Elzinha (Leandra Leal).

 



Fonte:http://oglobo.globo.com/cultura/revistadatv/mat/2008/05/16/figurino_de_ciranda_de_pedra_inspirado_na_hollywood_dos_anos_50-427413298.asp

Urbano

= centro urbano, culturalmente conhecido como moda de rua, podendo ser atual ou de época.

EX: Cidade de Deus

Cidade de Deus se passa em um único  cenário, talvez o verdadeiro protagonista  do filme: o conjunto habitacional da Cidade de Deus, zona oeste do Rio de Janeiro. Baseado em histórias reais, esta adaptação do romance de Paulo Lins é uma saga urbana que acompanha o crescimento do conjunto anos 1960 e o começo dos anos 80, pelo olhar de dois jovens que moram na comunidade: Buscapé, que sonha se tornar fotógrafo, e Dadinho, que se torna um dos maiores traficantes  do Rio.  
Título original: Cidade de Deus 
Duração:135 minutos (2 horas e 15 minutos)
Gênero:Drama
Direção: Fernando Meirelles
Ano: 2002
País de origem: BRASIL


Fonte: http://1.bp.blogspot.com/_0ngzk0mCNuQ/TP_VLcKpxPI/AAAAAAAAAs8/UK-NwQZZc48/s320/21cidade_de_deus_10.jpg
 http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSd2a5y9OVIY2jJ16otKYRdj4Fx3zhOcTthIGteAjy1XfWAcyZpfA

Atual


= momento atual, com relação ao figurino, estabelece um compromisso com a moda vigente.

Um exemplo desta classificação são as novas bonecas lançadas pela Mattel.A empresa inova mais uma vez e lança linha de Barbie com articulações e figurino que reflete atitude e personalidade das meninas contemporâneas.As novas bonecas ganharam mais de 100 movimentos diferentes e seis figurinos que refletem o modo como a garota atual se veste.Símbolo para diversas gerações a Barbie está sempre pronta para abraçar as últimas tendências e traduzi-las em brincadeiras divertidas.As bonecas da linha ainda possuem 12 pontos de articulação que permitem à Barbie se movimentar e reproduzir algumas clássicas poses das passarelas.


Após uma série de pesquisas junto ao público feminino infanto-juvenil de diversas partes do mundo, a Mattel chegou aos seguintes perfis que compõem a linha:

Wild: Aventureira, passional, gosta de viajar e confia em sua intuição.

Artsy: Artista por natureza. É sensível e adora estar rodeada pelo belo em todas as suas manifestações.

Sassy: Corajosa e à frente do seu tempo, essa Fashionista sabe tudo o que está rolando e adora sair com as amigas.

Glam: Vaidosa, adora se produzir e está sempre em sintonia com o mundo fashion.

Cutie: Meiga, carinhosa e prestativa. Está sempre disposta a ouvir seus amigos e aconselhá-los.

Girly: Romântica e serena, essa é a Fashionista que conquista a todos com sua suavidade.

Fonte: http://www.modalogia.com/page/2/?s=BARBIE

Para o dramaturgo Augusto Boal,

[...] cenário, figurino, acting, luz, música, etc. compõem o espetáculo agindo e interagindo sobre o espectador, corporificando o espaço estético, onde o homem, ao manifestar-se, imita, representa e cria mecanismos simbólicos para instaurar a comunicação, abrindo, assim, o diálogo com o mundo. Estabelecendo um relacionamento com seus semelhantes através das trocas de papéis. Desempenhando o papel de ator, de observador e observado. Encenando em dois espaços e em dois tempos: no espaço aberto do mundo contingente e no espaço fechado do convencional do espetáculo (teatro, cinema, ópera, balé, televisão, etc.).[1]

Com base nesta afirmação de Boal, é possível classificar os espetáculos de acordo com o tempo e o espaço: 
- ATUAL
- DE ÉPOCA
- URBANO
- REGIONAL
- SIMBÓLICO (FANTASIA) E RITUAL


[1] LEITE, Adriana e GUERRA, Lisette. Figurino uma experiência na televisão. São Paulo:  Paz e
Terra, 2002, p. 48.

DICA DE LIVRO

Marília Carneiro No Camarim Das Oito



A biografia da figurinista Marilia Carneiro se confunde com a própria profissionalização da categoria. Quando estreou na TV Globo em 1973, vestindo personagens de novela, provocou uma verdadeira revolução nos camarins ao usar roupas de butique. Até então, a praxe era encomendar todas as peças às costureiras da casa. Essa e outras histórias, como a criação do badalado figurino de Sonia Braga em Dancin' Days, agradam a jovens e adultos, dos clássicos aos moderninhos.



Edição: 1
Número de páginas: 192
Editora: Senac Rio de Janeiro

MARÍLIA CARNEIRO: FIGURINISTA

Marília Pinto Berredo Carneiro nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de julho, filha de um arquiteto e de uma dona-de-casa. Estudou filosofia e comunicação social na Pontifícia Universidade Católica (PUC), mas abandonou os cursos após começar a trabalhar como estagiária de jornalismo no jornal Tribuna da Imprensa. Ela foi casada com o fotógrafo e diretor de arte Mário Carneiro (1930-2007), que integrou o grupo de cineastas que criou o Cinema Novo, e fez sua estréia como figurinista no filme O Homem que Comprou o Mundo, de Eduardo Coutinho. Segundo conta, não se especializou em figurino porque o mais próximo que existia dessa área, na época, eram os cursos de desenho industrial e arquitetura.
  



Marília Carneiro chegou a fazer ponta como atriz em cinco filmes brasileiros, ganhando um papel relevante no longa Capitu (1968), de Paulo César Saraceni, onde interpretou Sancha, mulher do personagem Escobar, vivido pelo ator Raul Cortez. Mas seu destino era mesmo trabalhar por trás das câmeras. No final dos anos 1960, abriu uma boutique em Ipanema (zona sul do Rio), a Truc, que fazia a ponte com as novidades lançadas em Londres. Como a irmã, Maria Lúcia Dahl, e vários amigos estavam exilados, ela viajava sempre à Europa - a essa altura já estava separada - e trazia peças originais para desenvolver coleções no Brasil. A loja fez enorme sucesso. Tempos depois, passou o ponto da Truc e foi trabalhar na Obvious, loja da amiga Zelinda Lee, com quem diz ter complementado a sua formação de moda. Foi dali que partiu para a TV Globo, indicada pela atriz e amiga Dina Sfat (1938-1989) ao diretor Daniel Filho.
 
A figurinista estreou na TV Globo na novela Os Ossos do Barão (1973), de Jorge Andrade. E revolucionou o processo de produção de figurinos ao fazer o link com a moda, selecionando peças prontas para serem usadas em cena. Na época, todos os figurinos de teledramaturgia eram confeccionados pelo setor de costura da própria emissora, e não havia a prática de “garimpar” roupas em lojas, o que Marília Carneiro achava que dava mais agilidade às produções. Neste seu primeiro trabalho na emissora, ela teve de driblar as dificuldades enfrentadas pela introdução da cor na TV, encontrando uma série de limitações no uso de estampas, listras e cores. Os Ossos do Barão foi a segunda novela a cores da emissora. Marília também encontrou um desafio na novela O Rebu (1974), de Bráulio Pedroso, cuja trama se passa em apenas uma noite e os personagens usam um único figurino ao longo de toda a história. Já na primeira versão de Pecado Capital (1975), de Janete Clair, usou do recurso de trocar roupas novas por velhas com os moradores do bairro do subúrbio onde a novela foi gravada, para conferir maior realismo à trama.
  


Mais de 20 novelas, oito minisséries, além de passagens pelo humorístico TV Pirata (1988) e pelo seriado Mulher (1998) – o primeiro a ter um episódio totalmente gravado em alta definição – fazem parte da trajetória da figurinista, a veterana da área de figurinos da TV Globo, formadora de discípulas ao longo dos anos. Entre seus trabalhos, estão as primeiras minisséries realizadas na emissora – Lampião e Maria Bonita (1982), de Aguinaldo Silva e Doc Comparato, e Quem Ama Não Mata (1982), de Euclydes Marinho. Ela também fez os figurinos do primeiro trabalho regional da TV Globo, a novela Gabriela (1975), adaptada por Walter George Durst do original de Jorge Amado. Para compor o visual dos personagens, pesquisou em Ilhéus (Bahia) fotografias de moradores da região que pudessem ser usadas como referências na criação de roupas e acessórios, e besuntou a protagonista Sônia Braga com óleo para que ela ganhasse um aspecto sujo e suado e, dessa forma, correspondesse à expectativa do diretor Walter Avancini, que queria vivência na caracterização dos personagens.
 
Muitas minisséries bem-sucedidas também integram o currículo da figurinista, como Rabo de saia (1984), inspirada em Pensão Riso da Noite, de José Condé, cujo roteiro final é de Walter Avancini; Tenda dos Milagres (1985), que Aguinaldo Silva escreveu com base na obra homônima de Jorge Amado; e as produções históricas Anos Rebeldes (1992), de Gilberto Braga – onde Marília Carneiro reproduziu nos figurinos os anos da bossa nova e da ditadura militar –, e A Casa das Sete Mulheres (2003), de Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão, livremente adaptada da obra de mesmo nome de Letícia Wierzchowsky, que abordou o movimento farroupilha no Rio Grande do Sul e mostrou personagens como o líder gaúcho Bento Gonçalves, e os revolucionários Giuseppe e Anita Garibaldi.
 
Quando se fala em Marília Carneiro, logo vem à tona a moda lançada pelas novelas. Desde que caracterizou a atriz Sônia Braga com meias coloridas de lurex e sandálias de salto fino na cena em que a personagem Júlia Mattos aparece repaginada na novela Dancin’Days (1978), de Gilberto Braga, seu nome ficou associado às tendências da moda. O modelito virou febre entre as jovens brasileiras. Mas muitos outros modismos fizeram a cabeça do público ao longo de sua carreira. Como o inesquecível lenço usado no pescoço por Vera Fischer na novela Brilhante (1981), de Gilberto Braga. O acessório foi criado para disfarçar o corte de cabelo da atriz, curto e frisado, que não agradou ao público e teria incomodado até o compositor Tom Jobim, autor da canção de abertura, Luiza, feita especialmente para a personagem. Já na novela Rainha da Sucata (1990), deu ibope o penteado de Regina Duarte, a intérprete da protagonista Maria do Carmo: cabelo preso com um laçarote na nuca.
 
Em 1995, a figurinista vestiu os personagens da primeira novela gravada inteiramente na Central Globo de Produção (Projac), Explode Coração, de Gloria Perez, cuja protagonista fazia parte de uma família de ciganos. Também fizeram sucesso os véus, panos e olhos realçados com sombra e cajal, popularizados pela personagem Jade (Giovanna Antonelli) na novela O Clone (2001), de Gloria Perez, cuja segunda fase teve figurinos assinados por Marília. Sem esquecer de Uga Uga (2000), de Carlos Lombardi, que impulsionou o sucesso dos tererês usados pela personagem de Mariana Ximenes, e de Celebridade (2003), de Gilberto Braga, em que Malu Mader e Deborah Secco catalisaram as atenções: a primeira, desfilando com terninhos brancos, batas e um vestido de festa, usado em uma das cenas mais marcantes da trama, que arrebatou as telespectadoras; a outra, vestida como uma Lolita moderna, com microsaias, blusinhas justas, meias coloridas e sandálias de salto grosso.
 
Já em América (2005), outra novela de Gloria Perez, que Marília assinou com Maíza Jacobina, os figurinos retrataram o universo dos rodeios e imigrantes ilegais, na primeira novela a ter cenas externas gravadas em alta definição. Na TV Globo, também assinou a criação dos figurinos das novelas Páginas da Vida (2006), de Manoel Carlos, que dividiu com Christina Gross, Desejo Proibido (2007), de Walther Negrão, em parceria com Paulo Lois, e Caras & Bocas (2009), de Walcyr Carrasco, que assinou com Lúcia Daddario.
            


Marília Carneiro também fez os figurinos de várias produções cinematográficas, algumas delas em parceria com outros figurinistas. Ela trabalhou em O Casal (1975), de Daniel Filho; Gordos e Magros (1976), de Mário Carneiro; Revólver de Brinquedo (1977), de Antonio Calmon; O Bom Marido (1978), de Antonio Calmon; A Dama do Lotação (1978), de Neville de Almeida; Os Paspalhões em Pinóquio 2000 (1980), de Victor Lima; O Cangaceiro Trapalhão (1983), de Daniel Filho; For all - O Trampolim da Vitória (1997), de Buza Ferraz e Luiz Carlos Lacerda; Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão (2000), de Zelito Viana; A Partilha (2001), de Daniel Filho; O Xangô de Baker Street (2001), de Miguel Faria Jr.; Harmada (2003), de Maurice Capovilla; Sexo, Amor e Traição (2004), de Jorge Fernando; Mais Uma Vez Amor (2005), de Rosane Svartman; Vinicius (2005), de Miguel Faria Jr.; Muito Gelo e Dois Dedos D´água (2006), de Daniel Filho; Primo Basílio (2007), de Daniel Filho; e A Guerra dos Rocha (2008), de Jorge Fernando, com estréia prevista para 2008. Também fez parte da equipe de figurino de Luar sobre Parador (1988), de Paul Mazursky; a direção de arte de Gente Fina É Outra Coisa (1977), de Antonio Calmon.
 
 

Fonte: CARNEIRO, Marília. No camarim das oito, editora Aeroplano e Senac, 2003.